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 “Manto Alloro”: o silêncio transformado em trama coletiva.

A gênese dessa escultura têxtil  nasceu há muitos anos, quando conheci a escultura  de Bernine, sobre  o mito de Dafne, quando, perseguida por Apolo, ela é transformada por seu pai em um loureiro. Acho que esse mito nunca saiu do meu imaginário,  e sempre tive uma vontade gigante de fazer algo a respeito desse silêncio feminino.

 

A vontade de aprender crochê foi o ponto de partida, e as minhas primeiras folhas de louro nasceram entre as aulas de bordado com a artista Dora Araújo, no banco do jardim do Museu Carlos Costa Pinto. 

Quando recebi o convite da minha orientada de pós doutoramento Luciana Valio,  para integrar a sua mostra “Mantos Entrelaçados”, no  processo de tramas e urdiduras, as técnicas foram se multiplicando sem fronteiras: vieram outras  folhas pintadas, modeladas, bordadas, desenhadas…  Sob  esta germinação, o “Manto Alloro”, se tornou, gradativamente, uma obra coletiva, um rito de passagem, homenageando  pessoas queridas que cruzaram os meus caminhos na “vida-arte” nesses meus 53 anos de trabalho, quando encerro um ciclo de magistério na Escola de Belas Artes da UFBA. 

Fica o desejo que essa  obra-ritual continue viva, crescendo a cada dia, caminhando por muitos outros espaços culturais …

E aqui estou eu, imersa entre tantas linguagens, fios e texturas, completamente encantada! Muitas  mãos já passaram por aqui, e o manto seguirá germinando, recebendo novas folhas e histórias , conexões artísticas por onde caminhar…

Crédito das imagens: Marisa Vianna
Dados técnicos: 

Manto Alloro - obra coletiva processual 

arte têxtil: lã, bordados, galhos de louro, fios de cobre, cerâmica, vidro, desenho...
238x136x52cm
2026

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