Entr[e]stações
"Estou nesse 'entre', tendo as 'estações' como local escolhido para determinada pesquisa, observação ou registro, onde parei e coloquei um marco, traduzindo essencialmente o conceito de ciclo, de movimento, da experiência, um tempo gerúndio que faço existir...
Seja bem-vindo ao meu site!"
outono 2018
“Manto Alloro”: o silêncio transformado em trama coletiva.
A gênese dessa escultura têxtil nasceu há muitos anos, quando conheci a escultura de Bernine, sobre o mito de Dafne, quando, perseguida por Apolo, ela é transformada por seu pai em um loureiro. Acho que esse mito nunca saiu do meu imaginário, e sempre tive uma vontade gigante de fazer algo a respeito desse silêncio feminino.
A vontade de aprender crochê foi o ponto de partida, e as minhas primeiras folhas de louro nasceram entre as aulas de bordado com a artista Dora Araújo, no banco do jardim do Museu Carlos Costa Pinto.
Quando recebi o convite da minha orientada de pós doutoramento Luciana Valio, para integrar a sua mostra “Mantos Entrelaçados”, no processo de tramas e urdiduras, as técnicas foram se multiplicando sem fronteiras: vieram outras folhas pintadas, modeladas, bordadas, desenhadas… Sob esta germinação, o “Manto Alloro”, se tornou, gradativamente, uma obra coletiva, um rito de passagem, homenageando pessoas queridas que cruzaram os meus caminhos na “vida-arte” nesses meus 53 anos de trabalho, quando encerro um ciclo de magistério na Escola de Belas Artes da UFBA.
Fica o desejo que essa obra-ritual continue viva, crescendo a cada dia, caminhando por muitos outros espaços culturais …
E aqui estou eu, imersa entre tantas linguagens, fios e texturas, completamente encantada! Muitas mãos já passaram por aqui, e o manto seguirá germinando, recebendo novas folhas e histórias , conexões artísticas por onde caminhar…
Crédito das imagens: Marisa Vianna
Dados técnicos:
Manto Alloro - obra coletiva processual
arte têxtil: lã, bordados, galhos de louro, fios de cobre, cerâmica, vidro, desenho...
238x136x52cm
2026











